20 produtores de gado e mais de 50 animais participaram no Concurso...

20 produtores de gado e mais de 50 animais participaram no Concurso Pecuário de Lousada

Iniciativa que decorreu junto à Cooperativa Agrícola de Lousada é já uma referência na região e no norte de Portugal, integrando produtores de gado de vários pontos do país.

COMPARTILHE

Cerca de 54 animais e 20 produtores da Região Norte e de outros pontos do país marcaram presença, este sábado, em mais uma edição do Concurso Pecuário de Lousada, iniciativa que decorreu junto à Cooperativa Agrícola de Lousada, integrada na Festa Grande da vila.

José Magalhães, um dos elementos que fez parte da organização, realçou que a edição deste ano integrou animais de excelente porte, de diferentes raças, com o júri a sentir dificuldades em atribuir os respetivos prémios.

“O número de animais que se apresentaram no concurso manteve-se relativamente à edição  transata, o que é sempre um bom indicador  para preservarmos este concurso que é já uma referência para muitos produtores de gado, num concelho que também tem fortes ligações à agricultura e à pecuária. Registámos, também, nalgumas classes uma maior afluência de animais, o que dificultou a avaliação do júri”, disse, salientando que a maioria dos produtores que se apresentaram neste concurso mantêm a sua ligação à atividade agrícola, sendo este certame encarado como uma oportunidade para apresentarem os seus melhores exemplares.

Questionado sobre a importância do setor agrícola para o desenvolvimento dos territórios, José Magalhães reconheceu que o setor primário é atualmente um pilar para o desenvolvimento dos concelhos e da sua economia.

“ A agricultura  é um pilar fundamental para qualquer economia,  sendo  um elemento fundamental no próprio  ordenamento do território porque é a agricultura  que permite manter os  campos devidamente tratados, limpos e cultivados, sem matos e silvas, com menos incêndios. Por outro lado,  é um setor vital para a própria sobrevivência humana”, confirmou.

O presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, assumiu que o concurso pecuário  de Lousada é já uma tradição, uma das atividades que integra as Festas em Honra do Senhor dos Aflitos.

O autarca expressou, também, o seu regozijo por verificar que há cada vez mais jovens a surgir no concurso, num claro sinal de vitalidade da atividade.

“Para um concelho como Lousada é importante darmos continuidade a estas tradições, que a agricultura continue a ter força e vitalidade. Queremos manter esta matriz e esta característica de alguma ruralidade que o município tem e temos de continuar a trabalhar nesse sentido para que haja um desenvolvimento sustentando”, expressou, referindo que o verde e as paisagens verdejantes que existem no concelho devem-se à agricultura.

“Não queremos um concelho de betão. Queremos um município onde exista bom ambiente e a agricultura também se tem adaptado nesse sentido, deixando de lado aquelas práticas mais intensivas. É evidente que estamos a falar de um setor que desde sempre passou por grandes dificuldades, mas quero saudar o facto destas adversidades estarem a ser ultrapassadas devido à resiliência dos agricultores”, avançou.

O chefe do executivo reconheceu, também, que o setor necessita de mais apoios, estando o município e os demais parceiros a trabalhar no sentido de que Lousada seja beneficiada no próximo quadro comunitário de apoio.

“Temos que aproveitar a disponibilidade que tem existido por parte da Comunidade Europeia para apoiar um setor que sem esses apoios não conseguiria sobreviver. Creio que o Governo está sensível a isso e tudo tem feito para que Portugal consiga canalizar para esta atividade os apoios da União Europeia”, disse, reiterando a necessidade de que o próximo quadro comunitário possa alterar as distorções no que toca ao mapeamento do mundo rural, assunto, aliás, abordado nas IV Jornadas Agrícolas do Vale do Sousa, iniciativa que decorreu na Cooperativa Agrícola de Lousada.

“Uma coisa são os apoios ao setor em si e a outra o mapeamento  do mundo rural. Aquando da preparação deste quadro comunitário que está a terminar foi considerado que Lousada não tinha qualquer freguesia rural. O município, à data, manifestou a sua perfeita discordância. Há, aliás, uma grande incongruência porque por um lado no mapa da ruralidade não somos considerados rurais, não temos qualquer freguesia rural, mas, por outro lado, nos programas pensados e considerados para os municípios urbanos também não somos considerados dos mais urbanos. Este não é apenas um problema de Lousada e por isso é que temos vindo a sublinhar este problema e a alertar os governos sucessivos para a necessidade de existirem medidas discriminatórias positivas para uma região que tem uma vitalidade geográfica e económica elevada mas que se vê prejudicada por esses programas, que não têm em linha de conta a nossa especificidade. Por isso é que dizemos que parecemos uma zona cinzenta”, adiantou, afirmando que  este trabalho tem vindo a surtir efeitos e no âmbito da reprogramação deste quadro comunitário, os municípios que mais conseguiram reforçar os fundos no que respeita à regeneração urbana foram os da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa Lousada (Amarante, Paços de Ferreira, Felgueiras  e Marco de Canaveses).

“ A grande fatia desta disponibilidade de reforço da reprogramação veio para a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa porque conseguimos fazer ver ao presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte que estes municípios tinham sido prejudicados neste quadro comunitário. Estamos a preparar o próximo quadro comunitário e queremos alterar esta situação porque existem pequenos projetos que podem fazer a diferença na economia local e que o financiamento fica afastado se não for corrigida esta questão do mapa da ruralidade ou não se criar outro mecanismo compensatório. É nesse sentido que abordamos a diretora regional que está sensível para esta questão e iremos trabalhar para que no próximo quadro comunitário já se possa fazer a correção dessas distorções”, acrescentou.