Pedro Machado: “Temos ainda freguesias com uma marca forte de ruralidade”

Pedro Machado: “Temos ainda freguesias com uma marca forte de ruralidade”

IV Jornadas Agrícolas do Vale do Sousa

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O presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, realçou a importância destas jornadas para o concelho de Lousada e a região do Vale do Sousa assumindo que a realização desta iniciativa pela Cooperativa Agrícola de Lousada é um sintoma da articulação das cooperativas do Vale do Sousa.
“É usual dizer-se que juntos somos mais fortes, mas isso não pode ser uma mera afirmação, palavras vãs, tem de ser uma realidade e a realização desta iniciativa é um bom exemplo disso mesmo”, atalhou, assumindo que a agricultura é um setor vital para o desenvolvimento dos territórios.
“Se compararmos em termos de postos de trabalho e de volume de negócios, os valores não são tão expressivos, mas nunca menosprezamos a mais-valia da agricultura quanto mais não seja no impacto que tem na nossa paisagem que queremos preservar e por isso Lousada sempre verde”, acrescentou.


O autarca ressalvou que o município tem procurado que o crescimento seja ordenado e sustentado e por isso necessitamos de uma floresta e de uma agricultura fortes e equilibradas. “A autarquia tem procurado cooperar com todas as instituições que têm um papel ativo nesta matéria e nomeadamente com a Cooperativa Agrícola de Lousada. Apesar da agricultura não ter esse peso na economia, o certo é que temos excelentes exemplos de que através da agricultura é possível criar riqueza, postos de trabalho, e temos jovens agricultores, viticultores que estão a fazer um trabalho fantástico com projetos que são referências para outros jovens no concelho e até na região”, adiantou, relevando o trabalho que a Cooperativa de Lousada tem vindo a realizar em prol do setor primário.
A propósito dos instrumentos de financiamento, o autarca deixou o alerta de que o município não seja prejudicado como aconteceu neste quadro comunitário.
“Em Portugal temos o mau hábito de considerar apenas as cores brancas e preto e há zonas que são cinzentas, como é o caso do Vale do Sousa. Esta marca de ruralidade que disse que Lousada tem e que queremos preservar não teve reflexos naquilo que são os instrumentos de apoio mais vocacionados para a ruralidade e sabemos que temos ainda freguesias com uma marca forte de ruralidade, mas o certo é que não fomos considerados, nenhuma das nossas freguesias foi considerada embora depois se tenha conseguido atenuar essa situação, com a alocação de alguns recursos para algumas freguesias, mas era importante que no próximo quadro comunitário seja corrigida essa situação”, confessou, sublinhando, também, o trabalho desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural das Terras do Sousa (Ader Sousa) .
“É de facto importante que todos os municípios e demais instituições que têm assento na Ader Sousa que continuem a valorizar o papel que a mesma tem tido na nossa região e que na minha opinião tem um potencial grande para explorar”, manifestou.

Carla Alves
“Medidas de discriminação positiva para a agricultura familiar e para os jovens empresários rurais”

Carla Alves, Diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, esclareceu que a direção está articulada com o Ministério da Agricultura na discussão da reforma da PAC pós 2020,
“Este plano estratégico é demasiado importante e as direções regionais com a sua experiência local têm uma palavra e estão a ser chamadas a contribuir para este Plano Estratégico da PAC. Daí também desafiar as cooperativas, as associações e câmaras municipais, os agricultores para juntos fazermos um quadro ainda melhor”, adiantou.
Falando do segundo painel “Agricultura Regional” e das potencialidades da broa de milho característica da região, Carla Alves manifestou a intenção do Ministério da Agricultura e da Direção Regional de Agricultura do Norte apoiar a proteção comunitária.
“Estamos a falar de uma broa que tem características de especificidade, sobretudo, pelas variedades de milho que ela incorpora e de que forma é que no futuro poderemos apoiar a proteção comunitária deste produto que terá todos os requisitos para se conseguir uma proteção comunitária e salvaguardar uma receita tradicional e o saber fazer e as tais variedade autóctones de milho”, concretizou, assumindo que a Direção Regional está disponível para fazer chegar esse caderno de especificações naquilo que possa ser uma proteção comunitária.
Carla Alves referiu-se ainda à importância do vinho verde da região registando com agrado a evolução que tem sido realizado nesta área.
“Em números que pude apurar existiram aqui em Lousada candidaturas para 533 hectares de vinha o que quer dizer que as coisas têm estado a evoluir com novas candidaturas, com novas explorações de vinha. Já no próximo dia 15 de setembro estarão abertas as candidaturas ao chamado Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha (VITIS) que decorrerão até dia 15 de novembro”, especificou.
Carla Alves, respondendo às inquietações do autarca lousadense no que toca aos apoios, confirmou que recentemente o ministro da Agricultura criou o estatuto da agricultura familiar e o estatuto do jovem empresário rural, dois instrumentos que vão permitir realizar um pedido de reconhecimento.
“Aquilo que se pretende é fazer medidas de discriminação positiva tanto para a agricultura familiar como para os jovens empresários rurais. Todos os técnicos da direção regional estão habilitados a fazer este pedido de reconhecimento. No leader já existem algumas medidas que são discriminatórias para a agricultura familiar e o jovem empresário rural será também uma forma de potenciar o empreendedorismo no mundo rural. Estou certa que estes são instrumentos que poderão caber na realidade do Vale do Sousa”, esclareceu.
Refira-se que as cinco cooperativas do Vale do Sousa abrangem mais de três mil cooperantes, com destaque para os pequenos agricultores.