União de Freguesias de Lustosa e S. Estêvão com mais 700 mil...

União de Freguesias de Lustosa e S. Estêvão com mais 700 mil euros na conta

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Há muita obra para fazer e onde gastar o dinheiro

Na semana passada, a Câmara de Paços de Ferreira liquidou a dívida que tinha para com a Junta da União de Freguesias de Lustosa e S. Estêvão. O valor ronda os 700 mil euros e trata-se de uma antiga dívida relacionada com a utilização do Aterro Sanitário de Lustosa. Liquidada a dívida, a Junta  continuará a receber o montante de 2500 mensais, da Câmara de Paços de Ferreira e Felgueiras, pelo uso do referido espaço, montante esse considerado insuficiente por Armando Silva, presidente da Junta desta União de Freguesias.

O autarca esclareceu que a dívida é de 2001, mas que o problema do aterro sanitário continua, uma vez que o objetivo é acabar com aquele espaço de tratamento de resíduos sólidos: “Tem sido uma luta constante em fazer desaparecer o aterro. 1250 euros é muito pouco, não podemos continuar com estes valores”.

Onde serão gastos os 700 mil euros?

Questionado sobre o destino a dar a este dinheiro, Armando Silva diz que será investido em infraestruturas na freguesia. Lembrou que a freguesia é a maior do concelho, com a agregação de  S. Estêvão e que, portanto, o dinheiro não dá para tudo: “É muito dinheiro, mas depois não é dinheiro nenhum. E porquê? Lustosa andou vinte anos sem ter obra, só tem obra há seis anos para cá. Temos muito para fazer e de facto é preciso muito dinheiro. O que quer dizer que o presidente da junta e o seu executivo estão empenhados em investir nas principais necessidades da freguesia, que passam pela tutela da junta, trabalhos e melhoramentos que digam respeito à junta”. E que trabalhos são esses? “ Nós temos as estradas completamente desfeitas. Essas obras são da responsabilidade da Câmara e não da Junta, e têm de ser resolvidas. Aí não vamos gastar um cêntimo. Quanto às ideias, estamos a pensar no alargamento de algumas vias, em alcatroar outras de primeira necessidade, e estamos a pensar também na rotunda junto à capela, dado que não faz sentido nos dias de hoje vir um camião ou um autocarro no sentido ciclo para a igreja e tenha de fazer a sua manobra abaixo da igreja. Da forma como está não funciona. Estamos com interesse em fazer essa obra, que vai tirar muita velocidade àquele local. É uma obra muito necessária. A Câmara já comparticipou aquilo e ficou mal. Para ter o problema resolvido, teremos de ser nós a avançar. Já temos orçamentos e poderá ficar pelos 120 mil euros. Outra é a rotunda do largo do Cabo no sentido S. Gonçalo. Vejo ali um grande perigo todos os dias. E não vejo a Câmara a fazer aquela obra. É um local muito complicado e muito perigoso. Temos mais ideias, mas temos de negociar com particulares, nomeadamente os terrenos”.

O parque de lazer, uma obra reclamada na freguesia, não foi esquecido, mas “tem de ser concretizado com o apoio da câmara”, sustenta Armando Silva, explicando que “não pode ser um de dez mil metros, tem de ter no mínimo 300 mil m2”. O autarca referiu não haver ainda qualquer projeto, mas pede da autarquia “o mesmo tratamento que outras freguesias do concelho tiveram, comparticipando”. A aquisição do terreno por parte da Câmara seria uma comparticipação válida para Armando Silva. “Nós fazemos as infraestruturas, ou vice-versa. A Câmara tem colaborado connosco. Falta o que referi sobre as ruas e iluminação em falta mas que será resolvido”, afirmou.

Além das obras referidas, o presidente da Junta disse que está a pensar comprar uma outra carrinha de 9 lugares, “para ajudar no transporte de idosos, para o espaço que vamos ter aberto para eles, todas as tardes de segunda a sexta-feira. É preciso conforto para este tipo de serviços e outros que a freguesia necessite”, explicou.

Outros sonhos

Armando Silva elenca ainda outras infraestruturas que gostaria de ver na freguesia: “Gostávamos muito de ter aqui uma corporação de bombeiros, ter aqui uma ambulância… Era um sonho”, disse, acrescentando que a distância à sede do concelho é um “transtorno muito grande”. O mesmo argumento usou para se referir a um posto da GNR: “Temos consciência de que o posto da GNR de Lousada com os efetivos que tem para 25 freguesia fica muito aquém das nossas necessidades. Cada dia que passa mais necessidade nós termos aqui de um apoio”.

“Lar tem de passar por uma IPSS”

Um lar é também uma das necessidades da freguesia. Mas Armando Silva esclarece que “tem de passar por uma IPSS”. O autarca conta que “o senhor padre já tentou, mas não conseguiu”. Acrescentou que “não é fácil” e que, enquanto presidente da Junta, também se sente só, por isso, dei os passos para ter um equipamento para os idosos”. “O lar será muito difícil, pois envolve investimentos muito grandes. Teria de ser sempre em parceria para conseguir algo desse tipo para a a freguesia”, conclui.

Segundo Armando Silva, o campo de futebol sintético será uma realidade já no próximo ano: “É um equipamento necessário. A Junta fez de tudo para adquirir o terreno, oferecendo o sinal à autarquia. Oxalá que as direções usem bem esse equipamento em prol dos jovens e dos lustosenses”.

Manuel Pinho

Autarca acredita que sintético no Campo dos Escravos será realidade já no próximo ano