Em março deste ano, a série 1986, da autoria de Nuno Markl, relançou o fantástico e quente ano político que foi protagonizado pelas eleições presidenciais que, na segunda volta, colocaram frente-a-frente Mário Soares e Freitas do Amaral. Neste série, foi nítido que por essa altura, só havia dois lados, os democratas e defensores da liberdade – apoiantes de Mário Soares – e o dos fascistas – os apoiantes de Freitas do Amaral. É claro que, e uma vez que se trata de ficção, houve exageros de interpretação. Mas a ideia era esta. Quando Álvaro Cunhal não passou à segunda volta, e pediu aos eleitores que tapassem a cara (de Mário Soares) e colocassem lá a cruz, foi decisivo para a vitória de Soares e impediu, assim, que Freitas do Amaral fosse eleito. Na série, o comunista revoltado porque não queria votar no “bochechas”, mas votar no “facho” não era hipótese. Hoje, não só em Portugal, mas um pouco por todo o mundo… Não estamos divididos em dois grupos? No Brasil faltou, claramente, um Álvaro Cunhal que o fizesse. Ainda se tentou passar a ideia de que Fernando Henrique fosse esta figura. Recusou fazê-lo. Não houve uma voz, credível, a dizer: esqueçam a corrupção do PT e não deixem uma criatura como Bolsonaro ganhar. E Bolsonaro ganhou. Temos um “facho” a presidir o Brasil a partir de janeiro, que segue assim os EUA, Hungria, Itália e outros sinais que por aí se vão fazendo sentir de uma extrema-direita. Em Portugal, o nosso bolsonarito é André Ventura (que também vai criar um partido novo), que não hesitou em afirmar que será Carlos Alexandre o ministro da justiça caso venha a ser eleito, seguindo assim o exemplo de Bolsonaro ao nomear Sérgio Moro para ministro da justiça. E por falar em “fachos”, o ataque cerrado ao Observador parece ter passado para os artigos de opinião. Se não lê o Observador ou não está a par da sua linha editorial, valerá a pena ler o artigo de Pedro Marques Lopes, no DN e em contraponto, o de João Miguel Tavares, no Público. É importante lembrar que o Observador surgiu de uma iniciativa privada, que só consome quem quer. Tal como a maior parte do conteúdo digital. Mas designar um blog, sim porque não passa de um blog, de jornalismo, poderá ser exagerado. Digo-o porque o jornalismo, para mim e penso que para o senso comum, é uma atividade séria, rigorosa e independente. Com método e com critério. E o Observador é tendencioso. Claramente. Não é um jornal, é um blog. E nesse espaço, escreve quem entendem, lê quem quiser.











