Campeões Nacionais de Supercorss decidiram-se em Lustosa

Campeões Nacionais de Supercorss decidiram-se em Lustosa

Hugo Basaúla (SX1 e Elite) e Diogo Graça (SX2) revalidaram os títulos

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Na noite do passado sábado, dia 18, o Complexo Voltas e Rodas em Lustosa recebeu a ronda de encerramento do Campeonato Nacional de Supercross, prova organizada pelo Clube Motard de Figueiras que definiu os campeões de 2018.
Hugo Basaúla, este ano com a KTM e uma aposta forte nesta especialidade, revalidou os títulos nas categorias de SX1 (450cc) e Elite. Este foi o 5.º título da carreira do piloto que o coloca lado-a-lado com Joaquim Rodrigues Jr. Como os pilotos mais galardoados do campeonato nacional.
Lustosa recebeu a 4.ª ronda do nacional, depois das passagens por Paços dos Negros, Poutena e Fafe, que tinha a particularidade de decidir os campeões nacionais em todas as categorias em disputa. Basaúla partia em vantagem devido ao facto de o “regressado” Paulo Alberto ter falhado a segunda jornada na Poutena, uma vantagem que permitiu ao piloto da KTM gerir ambas as corridas. Depois de vencer a Red Bull Flying Lap, Basaúla atacou forte na primeira final da noite e apesar da pressão de Paulo Alberto (acabou por ter uma queda) terminou as 18 voltas na frente. O britânico Adam Chatfield, colega de equipa de Paulo Alberto, terminou no lugar mais baixo do pódio à frente de Diogo Graça, o melhor em SX2.
Para a segunda final da noite, agora 12 minutos mais duas voltas, Paulo Alberto imprimiu um ritmo avassalador e liderou do princípio ao fim, com Basaúla a controlar a segunda posição e com o cetro já garantido. No 3.º e 4.º lugar classificaram-se novamente Adam Chatfield e Diogo Graça.
Já habituado a ganhar nesta pista, Diogo Graça também revalidou o título nas SX2 (250) e foi ainda o 3.º na Elite, atrás de Paulo Alberto.


Nos Iniciados Ruben Ferreira venceu ambas as mangas e garantiu o título na frente de Fábio Costa e Afonso Gomes. Nos Infantis B esteve o único vencedor invicto no campeonato em 2018. Sandro Lobo fechou o ano com mais duas vitórias e garantiu o título final com 200 pontos, na frente de Tomás Santos e Guilherme Esteves. Em Infantis A Duarte Filipe venceu igualmente ambas as corridas para fechar o campeonato em primeiro na frente de Simão Severino e Guilherme Alves.
Quanto à participação dos espetadores, o Complexo Voltas e Rodas registou uma das melhores casas e nem o atraso, verificado devido a um problema na iluminação, impediu os mais resistentes de permanecer até à entrega de prémios que terminou já perto das 03h00 da madrugada.

Geral SX1: Paulo Alberto (2.º), Hugo Basaúla (1.º) e Adam Chatfield (3.º)

Hugo Basaúla
“Revalidação do título era uma obrigação”

Mais concentrado na preparação para as provas do SX Tour, Hugo Basaúla mostrou-se, obviamente, feliz pela revalidação do título, mas não gostou de algumas das suas prestações, confessando dificuldade de adaptação às pistas nacionais: “No início da temporada de Supercross, em Paços Negros, não foi muito fácil, tive duas saídas, duas quedas no arranque e não consegui lutar pela vitória, pois acho que tinha tudo para o fazer, pois estava rápido e sentia-me bem. No entanto, ganhei na Poutena e em Fafe também tive uma queda. Não me estou a sentir muito bem nestas pistas de Supercross em Portugal e tenho tido bastante dificuldade derivado à minha preparação para o SX Tour e outras corridas do Europeu. No cômputo geral foi positivo. A revalidação do título era uma obrigação para mim. Agora, não fico muito satisfeito da maneira como andei em certas corridas, mas espero para o ano espero estar no campeonato nacional e preparar-me da melhor forma para o nosso campeonato e depois, sim, preparar-me para o SX Tour. Apostei mais no Supercross porque é uma modalidade que eu me identifico bastante e queria dar-me a oportunidade de fazer uma coisa que eu gosto. Consegui a vitória e foi positivo. Não arrisquei muito, andei seguro e foi um bom espetáculo para a malta e isso é que importa”.

Paulo Alberto
“Já aqui vivi bons momentos”

Depois da ausência em 2017, Paulo Alberto regressou ao campeonato nacional que havia conquistado em 2016, mas a prioridade continua a ser o campeonato brasileiro e foi devido a participação em Terras de Vera Cruz que o piloto falhou a passagem por Poutena. Ainda assim, o piloto de Leiria foi o que mais vitórias conquistou e, nas que competiu, só perdeu mesmo a 1.ª corrida de Lustosa (duas vitórias em Paços Negros e outras tantas em Fafe e uma em Lustosa). Como tal o piloto fez um balanço positivo da sua performance no nacional: “A prova acabou por correr bem. Na primeira bateria acabei por cair quando estava a pressionar o 1.º classificado, mas na segunda consegui arrancar bem e vencer. Foi um campeonato giro, acabei por vencer todas as mangas em que entrei, a não ser esta primeira de hoje. Só faltei à Poutena e óbvio que perdi 50 pontos e já não dava para lutar pelo título, mas o objetivo principal é o Brasil e tive de optar por ir para lá. Mas, em termos gerais fiquei bastante contente e só perdi uma das mangas que disputei. Só tenho que agradecer à minha equipa”.
Paulo Alberto é um piloto conhecido nesta “casa” e tem uma ligação afetiva com o proprietário da pista, o Sr. Neto que também foi dono da equipa Hard Racing Team (Kawasaki) com a qual o piloto conquistou o primeiro título nacional: “O ano passado não pude estar presente, mas regressei este ano e é sempre bom estar cá. Já aqui vivi bons momentos. Estive a viver aqui dois anos na equipa HRT do Sr. Neto e tenho muito a agradecer a ele pelo andamento que tenho hoje, porque foram dois anos em que aprendi bastante, quando tinha 17/18 anos e foi aí que eu comecei a dar frutos e a obter resultados e por isso também eles têm méritos nestes meus êxitos”.
Recorde-se que o piloto competiu dois anos pela equipa sediada em Lustosa: Em 2007 sagrou-se vice-campeão, numa temporada em que partiu uma perna. No ano seguinte sagrou-se campeão de Supercross SX2 (250cc).

Geral SX2: Renato Silva (2.º), Diogo Graça (1.º) e Ricardo Freire (3.º)

Diogo Graça
“Conseguimos o nosso objetivo”

Para Diogo Graça esta não foi a primeira vitória em Lustosa. O piloto de Cabeceiras de Bastos que habitualmente treina nesta pista já havia dominado a sua classe o ano passado, sendo mesmo um dos principais animadores dessa jornada, perdendo apenas para Basaúla e Sandro Peixe, ambos da classe SX1.
Campeão em título nas duas modalidades, Diogo Graça não conseguiu repetir os êxitos no Motocross, devido a uma lesão na mão esquerda, mas conseguiu o título no Supercross, superiorizando-se a Renato Silva e Ricardo Freire: “Conseguimos o nosso objetivo que era ser campeões de SX2 e ainda um pódio na Elite e só tenho de estar contente com o trabalho que fiz no Supercross e só tenho que agradecer a toda a minha equipa, a Guga MX/Suzuki/Motoextreme, e a todos os nossos patrocinadores”.

Manuel Marinheiro
Presidente da FMP

“A pista estava excelente, bem tratada. O motoclube local trabalhou bastante. Foi pena esta situação da luz que atrasou um bocado as corridas, mas são coisas que acontecem e que não são controláveis. Só temos de valorizar aquilo que foi positivo e de facto assistimos a boas corridas, tanto dos miúdos como dos graúdos, e acho que foi um bom final de campeonato aqui em Lustosa. O Clube Motard de Figueiras tem feito um bom trabalho e hoje pode comprovar, pois vim aqui pessoalmente”, disse o dirigente máximo da Federação de Motociclismo de Portugal, que defendeu a continuidade deste traçado nas provas do nacional: “A pista é muito boa e o público compareceu, o que é sempre importante”.

António Augusto
Vereador do Desporto da CML

“O Campeonato Nacional de Supercross teve a sua última e decisiva etapa em Lustosa que vem confirmar a distinta capacidade organizativa do Clube Motard de Figueiras e a qualidade do Complexo Voltas e Rodas. Esta semana desportiva em Lousada ficou marcada pelas motas. Aos aficionados locais juntaram-se milhares de outros que encheram o Circuito das Festas da Senhora Aparecida e de Caíde de Rei, bem como o Complexo Voltas e Rodas em Lustosa. À forte tradição da Aparecida, junta-se agora Caíde de Rei que em poucos anos já marca presença obrigatória na agenda de muitos entusiastas das duas rodas”.