Resultou num sucesso absoluto o espetáculo do projeto de comunidade que decorreu na noite desta sexta-feira na Avenida Senhor dos Aflitos e serviu de “aquecimento” para o concerto de Ana Moura do dia seguinte.
Sob o tema do fado este projeto envolveu a comunidade e juntou cerca de sete dezenas de pessoas (entre amadores, profissionais, iniciantes, mestres, pessoas que nunca fizeram música, de qualquer idade, proveniência, profissão ou condição social) que interpretaram temas que retrataram as musicas, cultura e tradições lousadenses em arranjos artísticos de uma fusão de vários estilos musicais.
E, porque o tema era o fado uma das artistas convidadas pela autarquia foi a fadista Melanie que no final se mostrou encantada com a reação do público: “Já canto fado há 21 anos e aceitei com todo o gosto o convite da câmara. É um projeto giríssimo, a fusão e junção deste estilos todos fazem deste um espetáculo único. Sinceramente não estava a contar com uma reação tão fantástica, mas público percebeu que esta junção resulta”.
Manuel Nunes
“Toda a gente sentiu que isto é Lousada”
Responsável pelo pelouro da cultura, o vereador Manuel Nunes explicou o objetivo do projeto que passou essencialmente por promover o património cultural e musical do concelho: “ o projeto nasce da vontade de tornar a nossa vivência cultural em algo mais enraizado e não apenas num consumismo que se projeta num concerto de qualquer artista que possamos trazer cá. E, para isso tínhamo

Embora não tenha sido uma grande multidão que assistiu ao concerto (comparada com o de Ana Moura, por exemplo) a avaliar pela envolvência e aceitação do público, esta foi a prova que se pode oferecer à população grandiosos espetáculos com custos reduzidos para o erário público, como corroborou o vereador: “Os grandes espetáculos têm o seu lugar, são importantes, são necessários e são úteis, pois trazem cá artistas que de outro modo muita gente não teria oportunidade de ver, como é o caso da Ana Moura. Mas, esses espetáculos tendo lugar, não são a única hipótese nem a única forma de fazer com que cultura aconteça e que seja apropriada pelas pessoas. Uma coisa é ter esses espetáculos que movem multidões, mas que de facto não são Lousada, outra coisa é ter espetáculos de menor dimensão com custos reduzidos, mas que envolvem as pessoas e essas sim, são Lousada. Essa é que é a diferença, mas ambos são complementares, perfeitamente integráveis e produzem grandes feitos numa comunidade como a nossa que está muito virada para a cultura”.
s de criar algo que envolvesse a comunidade que não fosse simplesmente assistir. E, o que nós vimos hoje foi o corolário de um processo longo que envolveu muita gente, pessoas que estão de parabéns porque se dedicaram de alma e coração a este projeto e que abdicaram de tempo com a sua família para ensaiar arduamente até chegar a este momento que nos deixa muito orgulhosos e satisfeitos, porque toda este gente foi tocada claramente por este processo e a partir de hoje vão ver e viver estas dinâmicas de outra foram. Acho que toda a gente que aqui esteve hoje sentiu que isto é Lousada. O que vimos aqui foi algo único e irrepetível, não vai acontecer em mais lado nenhum, porque foi feito com as pessoas de cá, com as músicas de cá, com as nossas tradições, com as nossas vivências. O espetáculo foi construído a partir do que cada um conseguia fazer e não daquilo que nós queríamos e a partir desse ponto de partida é que se construiu o espetáculo. Portanto é algo que claramente só encaixa naquilo que é nosso e é identitário. E, o público provou que reconhecia no espetáculo aquilo que era seu, cantou, participou, dançou e envolveu-se e era isso que nós queríamos, que fez nascer o projeto e que fica como semente para o futuro”.

A produção do espetáculo esteve a cargo da empresa Onda Amarela que se dedica à organização do projetos comunitários e que por sua vez convidou os músicos André Nunes e Pedro Santos que assumiram a direção artística e o ensaio da “orquestra” .
“No início os artistas mostraram-se muito céticos, mas com os ensaios começaram a perceber que iria ser um espetáculo muito bonito e começaram a ficar muito entusiasmados e então agora no final foi a cereja no topo do bolo”, congratulou-se André Nunes, não só pela performance dos músicos, como também pelo entusiasmo do público.
Já Pedro Santos explicou a preparação do espetáculo: “Fizemos uma recolha das músicas da terra e trabalhámos em cima desses temas. Esse foi o nosso ponto de partida. A partir dessas músicas e dos instrumentos que juntámos fizemos os arranjos e começamos a escrever e a compor. No fundo o objetivo é que o público se identifique com o espetáculo e sinta que, apesar de estar na assistência, também faz parte dele. Que conhece as músicas, apesar de elas estarem com arranjos completamente diferentes e de uma forma que nunca ouviram, mas todos conhecem a base dos temas e isso acaba por ser muito bom”.
No final foi visível a satisfação, não só dos participantes, mas sobretudo do público que assistiu a um sublime concerto e ficou a sensação de que querem mais. No entanto, este foi um concerto único e que não se irá repetir, mas os dois músicos deixaram aberta a hipótese de voltar: “Queremos crer que foi único pela sua sonoridade, porque estes temas foram compostos para este espetáculo e se houver mais vai ser sempre diferente deste. Mas estamos abertos para ser contratados para mais espetáculos, para repetir este ou outro parecido. Com as mesmas pessoas adorávamos, porque foi um grupo espetacular, aberto a experiências e a tudo que nós dizíamos e quando é assim a coisa funciona muito bem”.
Carlos Mota










