Realizou-se, na passada sexta-feira, dia 27 de abril, em Paredes, o jantar comemorativo do 26.º aniversário do Núcleo de Árbitros do Vale do Sousa.
Paulo Silva, vereador do município de Paredes, começou por realçar a presença das mulheres ‘árbitras’ e a muita juventude: “Há aqui muita gente jovem que continuam a acredita e lutar por este mundo da arbitragem”. Teve também uma palavra para exprimir “o orgulho em ter este núcleo com sede no concelho de Paredes, sendo uma mais-valia para a região e para a marca Paredes. “Temos uma ideia: vender a marca Paredes. O desporto movimenta muita gente, movimenta paixões e o mundo do futebol é aquele mais especial de todos. É muito bom para nós ter aqui este núcleo, que é um dos mais importantes do país e que tem dado à arbitragem alguns dos nomes mais sonantes. É muito agradável ver esta sala repleta, essencialmente com jovens que acreditam que a arbitragem podem credibilizar o futebol dentro das quatro linhas como fora delas”, concluiu o autarca.
Enaltecendo o trabalho desenvolvido pelo núcleo, António Augusto, vereador do desporto da autarquia lousadense, começou por evocar a história, valorizando todos os que iniciaram há 26 anos este núcleo. De seguida, caracterizou o concelho a nível de desporto federado, referindo que 75 % das crianças em idade escolar praticam futebol: “O futebol é uma modalidade muita representativa do concelho. Damos apoio com o pagamento dos exames médicos e dos seguros desportivos e ao núcleo de arbitragem cedemos as instalações desportivas para as suas formações. Apoiando o NAF também contribuímos para um maior desenvolvimento do desporto, no concelho e na região”, afirmou.
Nesta cerimónia, foram entregues vários prémios com destaque para o Prémio Carreira, que foi atribuído ao presidente do próprio núcleo, Carlos Dias, que agradeceu a todos os elementos da direção: “Fizeram este trabalho árduo. Foi com eles que aprendi e são todos vocês que me ajudam a crescer enquanto homem e profissional”. Olhando para todos na sala, Carlos, que optou por deixar a arbitragem e dedicar-se ao dirigismo, considerou-os uma mais-valia, pois conseguiram bons resultados, fruto de uma “nova filosofia”, que o faz antever um futuro promissor: “Tenho a certeza de que este núcleo vai ter gente muito maior e com mais capacidade de irmos todos juntos muito mais longe”. A terminar, agradeceu a algumas entidades presentes a colaboração, desejando muito sucesso ao núcleo.
José Neves, da Associação de Futebol do Porto, relevou o valor da “família”, uma família com mais de 800 árbitros. De seguida, congratulou Carlos Dias pelo trabalho desenvolvido: “A sorte dá muito trabalho, porque o caminho faz-se caminhando e, normalmente, não há ventos favoráveis para aqueles que não sabem para onde querem ir. Os prémios aqui apresentados evidenciam esse trabalho realizado”. Para este dirigente, os árbitros devem ter três características: “ser simples, próximos e justos”. Terminou referindo que, com um núcleo de árbitros fortalecido, “teremos um conselho de arbitragem mais fortalecido, uma associação maior e um desporto nacional bem maior”.
Mulheres são cada vez mais na arbitragem
Presente nesta cerimónia, Carlos Carvalho, presidente do Conselho de Arbitragem da AF Porto, começou por valorizar a formação, evidenciando os formadores e elogiando dois árbitros, Bertinho Miranda (Federação Portuguesa de Futebol) e Rui Licínio (APAF): “Sinto orgulho em termos aqui dois elementos da arbitragem a nível nacional, uma referência para todos”. O atual momento foi caracterizado com otimismo, valorizando também a arbitragem feminina: “Todos os árbitros que estão nos quadros C1 C2 passaram por mim desde 94. Quando chegamos aqui em novembro de 2016, tínhamos três meninas nos quadros nacionais, na próxima época vamos ter nove. Com um bocadinho de sorte, nós teremos mais árbitros C2 na próxima época. E posso acrescentar mais: se estas meninas todas trabalharem afincadamente, muito proximamente, pela primeira vez, poderemos ter uma ‘árbitra’ internacional. Para isso é preciso trabalhar com muita dedicação. Também acho que nós poderemos ter um árbitro internacional no futsal. Temos de ser melhores em tudo. Temos de trabalhar, ir às formações, temos de ombrear com os melhores para que a cada dia sejamos melhores. Eu quero que os árbitros do Porto subam numa base sustentada de formação de saber e de dizer: ‘Eu trabalho e sou aquele que todos os dias me sacrifico para ir mais longe, só assim é que atingi os objetivos’ ”, conclui o dirigente.

Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto, começou por elogiar Carlos Dias, mostrando alguma tristeza por sair da arbitragem: “Rapaz dinâmico… Deixar a arbitragem é mau, deve continuar, devia seguir a arbitragem”. No entanto, acredita que será um excelente dirigente no futuro: “Dirigente fresco e atual. Só tenho de louvar o serviço que tem feito e o prazer com que tenho falado com ele. Tem sido um homem que soube sobrecarregar sua vida profissional com a suas funções desportivas. Tenho a certeza de que vai ser um bom dirigente e um bom homem da arbitragem. Vai certamente prestar serviços grandiosos”, elogiou, continuando o momento evocativo com os dois grande nomes da arbitragem presentes: Bertinho Miranda e Rui Licínio.
De seguida, Lourenço Pinto agradeceu de modo especial às “meninas”, que “vão dando prova de ter uma grande capacidade. São diferentes, melhores, mais pensantes. Que a arbitragem feminina cresça, cresça, pois tem qualidade. Vê-las aqui é uma satisfação enorme, tanto na arbitragem como no futebol feminino”.
5000 euros para os cofres do Núcleo
Segundo o dirigente, os núcleos representam o centro de reunião e difusão de saber, o centro de troca de ideias, de valorização de todos aqueles que vivem da solidariedade e da amizade. E tudo isso é diversão e prazer, sobretudo quando estão vocacionados para o conhecimento das leis do jogo: “O humanismo está na essência de cada núcleo. Dedicação, solidariedade, amizade, é isso que lá se sente. Hoje os núcleos têm mais condições, mas noutros tempos as coisas eram mais difíceis. Dou o exemplo do núcleo de Braga, que funcionava numa catacumba, numa cave, e formou árbitros valorosos. Um deles apitou uma final de uma Taça de Portugal. Ali se fizeram árbitros. Marcou-me muito o que vi”, referiu, com saudade, elogiando todos os outros núcleos que marcaram presença nesta iniciativa.
No final, Lourenço Pinto informou os presentes de que a AF Porto premiou o trabalho desenvolvido pelo núcleo: “Sou virtuoso com os núcleos. Gosto da compensação. Temos que lhes dar o que merecem. A AF Porto e o presidente tudo farão para que sejam mais e melhores. O núcleo do Vale do Sousa, porque já fez obras, tem umas melhores instalações. Este ano vamos dar-lhe 5000 euros. É importante que tenham uma arbitragem cada vez melhor e que seja cada vez mais dignificante para o futebol português”.








