Em torno de alguns elementos patrimoniais de Santa Cristina de Nogueira

Em torno de alguns elementos patrimoniais de Santa Cristina de Nogueira

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Fig. 1 - Aspeto da igreja e da residência paroquial no ano de 1954. (fonte: Arquivo Episcopal do Porto)

Segundo tradição antiga e até, de certo modo, esquecida pelas gerações mais novas, a igreja de Santa Cristina de Nogueira terá sido mudada de local. Primitivamente estaria em sítio que a memória do povo já não recorda, sendo construída de novo no local atual no ano de 1725, conforme a data inscrita na fachada da igreja sugere.

Dúvidas não existem quanto à sua fundação, em plena Idade Média, por herdadores, proprietários livres (ou os seus descendentes), que por sua iniciativa mandaram edificar a primeva igreja dedicada à santa mártir, em data anterior aos meados do século XII. Alguns anos mais tarde, provavelmente na sequência de abusos cometidos pelo senhor da terra, à semelhança do ocorrido, pela mesma altura, com Aveleda, os herdadores colocaram-se a si próprios e às suas terras e igreja de Nogueira sob a proteção (comenda) de D. Elvira Viegas de Ribadouro, filha de D. Egas Moniz. Em 1258, quando os inquiridores régios chegaram a Nogueira a igreja encontrava-se, pois, defendida pelos filhos e netos de D. Elvira Viegas.

Este episódio medievo teve, com efeito, consequências para o desenrolar subsequente da história e do património de Nogueira, garantindo as condições para que prosperassem vários e emblemáticos solares numa área geográfica muito pequena.

Mais recentemente, a freguesia foi servida de uma nova residência paroquial, construída mesmo ao lado da igreja, no ano de 1937 pelo então pároco Paulo Ferreira Monteiro. Quais as forças vivas da freguesia que estiveram envolvidas nesta construção? Onde se situava a antiga residência do pároco? Questões que interessa indagar…

Bem mais contemporâneas são as circunstâncias que envolveram a construção do cruzeiro paroquial, mas que não deixam de constituir elementos muito evocativos da história e memória coletiva desta paróquia. Não logramos obter qualquer registo fotográfico do antigo cruzeiro, mas, de acordo com alguns testemunhos, seria todo lavrado em pedra, como era normal nesta região, e de feição antiga. Já no decorrer da década de 70 do século XX, este cruzeiro foi alvo de uma transformação pouco usual: o granito foi substituído pelo cimento e pelo mármore e por uma configuração que certamente o colocou entre os cruzeiros mais incomuns da região. Por fim, no ano passado (2017) um acidente rodoviário ditou o derrube e o fim da insólita história do cruzeiro paroquial em mármore, sendo entretanto substituído por um novo padrão de gratino.

Fig. 2 – Cruzeiro em mármore construído nos anos 70 do século XX, entretanto substituído.