“Mania dos Cães”: Educação e treino canino

“Mania dos Cães”: Educação e treino canino

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Apaixonado pelos cães, João Pedro, natural do Porto, há muito que trabalha na educação e treino daquele que é conhecido como o melhor amigo do homem. Inicialmente de forma informal, esta atividade foi ganhando amplitude, a ponto de surgirem vários clientes a solicitarem os seus serviços. Nasceu assim a “Mania dos Cães”, uma empresa vocacionada para a educação e formação canina.
O Yes este à conversa com o jovem treinador e ficou a conhecer melhor os seus serviços.
YES: Como surgiu o nome “Mania dos Cães”?
João Pedro (JP): No início, para uns, eu era “o João que treina cães”, para outros “o João do cão”. Os clientes iam surgindo e, por isso, senti necessidade de tornar tudo mais “sério”. O nome foi o aproveitar aquilo que diziam de mim: “Tens a mania dos cães”…

YES: O que é a educação e o treino canino?   
JP: A diferença entre educação e treino pode ser explicada de uma forma muito simples: educação é o que um cão aprende para poder estar em nossa casa ou na nossa sociedade. Por sua vez, treino são aqueles comportamentos ou truques ensinamos ao cão. Alguns desses comportamentos poderão se incluídos na educação, como por exemplo, o sentar, deitar, ficar quieto.

YES: O que o levou a ser treinador de cães?
JP: Foi algo que surgiu sem ser planeado e, sinceramente, foi há tanto tempo que já nem sei bem porque aconteceu muito naturalmente. Comecei por treinar alguns cães de pessoas que conhecia, depois foram aparecendo outras e, entretanto, a ordem natural das coisas foi ter um valor pelo serviço e complementar com outro trabalho que tinha nessa altura.
Entretanto, surgiu a oportunidade de trabalhar com cães numa empresa de segurança e andei por lá 5 anos. Depois, por vários motivos, deixei essa empresa e dediquei-me apenas ao treino. Foi quando surgiu a “Mania dos Cães”. Desde então já tive a oportunidade de trabalhar com outros animais, como suricatas e camelos. Esse trabalho consistia em ensinar a esses animais comportamentos que ajudariam no seu exame físico ou manuseamento. Colaborei também com uma associação de terapias assistidas com cães, onde durante cerca de um ano visitávamos diariamente um hospital psiquiátrico para acompanhar alguns utentes e fazer atividades com os mesmos.

YES: Há quanto tempo exerce esta atividade?
JP: Tudo começou em 1997, com uma cadela que tinha na altura. Comecei a dar os primeiros passos no que era o treino de cães. Depois comecei a procurar formações na área, o que naquela altura era bastante complicado porque não havia nem a divulgação que existe hoje nem os meios para tal, o que é de certa forma curioso porque foi apenas há vinte anos. De certa forma, isto prova o salto que se deu no que diz respeito a tudo o que se relaciona com animais. A partir daí foi sempre a tentar aprender mais, não só para melhorar como também para melhorar os serviços prestados.
Neste momento já organizo formações para todas as pessoas que tenham interesse na área, para isso terei no próximo ano um educador espanhol que virá a Portugal fazer formações para educador canino, agressividade em cães, stress e medos em cães, cachorros e cães adolescentes e cães adotados. Esta é não só uma forma de eu complementar e aumentar o conhecimento mas também de proporcionar a outras pessoas esse enriquecimento. Além disso aumentando a qualidade e quantidade das formações estamos a mudar mentalidades e cada vez mais pessoas podem perceber como se relacionar e viver melhor com os cães.

Yes: Quais são as principais vantagens para contratar os serviços da sua empresa?
JP:Trabalho sempre em casa do cliente e nos locais onde o cão costuma passear. Isto permite conhecer a realidade de cada cão e sua família e, por isso, adaptar o trabalho a cada caso em particular. Não podemos ter regras para ensinar e aplicar essas regras a todos os cães e pessoas. Cada cão é um cão e o mesmo se passa com as pessoas e, no ensino de um cão ou resolução de um problema específico, temos que trabalhar sempre com o cão e as pessoas que vivem com ele. Este é um trabalho que para ter resultado tem que ser acompanhado por todos, o educador, o cão e a família, caso contrário não irá ter sucesso.

YES: Caracterize o tipo de serviços da empresa?
JP: Prestamos serviços de educação e treino de cães, desde o treino de obediência, que engloba o sentar, deitar, ficar, andar na trela sem puxar, etc, até ao trabalho com problemas específicos, como ansiedade por separação, agressividade, entre outros e, claro, a educação de cachorros, que cada vez mais começa a ter procura. As pessoas, atualmente, já percebem que não basta levar um animal para casa e esperar que ele saiba o que está certo ou errado. Como nem toda a gente tem paciência ou conhecimento para aprofundar o ensino, acabam por recorrer aos nossos serviços e depois fazemos o acompanhamento.
YES: Quais são as principais dificuldades no treino de um cão?
JP: Podem existir várias dificuldades no treino de um cão, mas a principal para mim é trabalhar com pessoas que não conseguem ver o mundo pelos olhos do cão. Isto dificulta bastante o trabalho porque temos que, antes de tudo, trabalhar um pouco a forma de essa pessoa ver o cão e só depois é que é possível avançar com o trabalho.

YES: O que não se deve fazer na educação de um cão?      JP: Apesar de muitos avanços e mentalidades que têm vindo a mudar, ainda existem muitos mitos ligados à educação/ ensino de um cão e, infelizmente, esses mitos ainda estão muito presentes em quase todo o lado, começando pela internet, que é onde a maioria das pessoas vão em primeiro lugar para tentar encontrar solução ou explicação para um determinado problema, seja uma dor de cabeça ou, claro, a educação do cão. Esses mitos são precisamente o que não se deve fazer na educação do cão, como o repreender o cachorro por fazer as necessidades, esfregar o focinho no xixi, bater com um jornal para castigar e neste castigar há quem chame corrigir, o que não corresponde à realidade, e muitas outras coisas. Aqui, quase que poderia dizer que não se deve fazer aquilo que não gostaríamos que nos fizessem, pois isso, além de trazer problemas futuros ao cão, faz com que este perca a confiança na pessoa.

YES: O que é preciso para ter os serviços da empresa?  
JP: Antes de tudo um cão. Depois, basta contactar-nos por telefone ou por e-mail. Podem visitar o site www.maniadoscaes.com, onde encontram estas informações, entre outras. Assim que possível, respondo para esclarecer dúvidas e para fazermos a marcação da primeira visita.

YES: Treinar um cão pode ser muito custoso. Qual a mensagem que tem para o seu cliente para o convencer do contrário?
JP: Infelizmente, ainda se acredita muito que o cão com a idade acalma e isso não corresponde à realidade. Claro que todos os cães acalmam, nem que seja ao chegar a velhos, mas se pensarmos em dedicar os primeiros tempos do cachorro em casa à educação, vamos perceber que teremos muitos anos de descanso e, acima de tudo, vamos evitar muitas asneiras e até problemas de comportamento futuros.
Além disso, a educação de um cão é também forma de evitar que muitos cães passem a viver no fundo do quintal presos, “porque não se sabem comportar” e até que sejam abandonados. Nenhum cão aprende se não lhe dissermos o que queremos, de uma forma amável, porque a violência ou os castigos não são forma de ensinar.
Por isso, acho que podemos dizer que o treino de um cão acaba por ser um investimento em qualidade de vida, seja para o cão, seja para a pessoa.

YES:Todos os cães podem ser ensinados?   
JP: Todos os cães podem ser ensinados e em qualquer idade. Um cão aprende durante toda a vida. Temos que adaptar a forma como o ensinamos à sua idade e personalidade, porque antes de uma raça um cão é um cão e é único. Sobre a questão da idade, temos que perceber se, com aquela idade, será benéfico para o cão aprender determinado comportamento. Muitas vezes ainda é cedo para ensinar alguma coisa ou outras vezes pela idade já não faz sentido ensinar determinados comportamentos.

YES: Deixe uma mensagem às pessoas que têm ou pensam vir a ter cães.      
JP: Todos os anos, muitos cães têm problemas de comportamento, são abatidos, abandonados ou arrumados no fundo do quintal porque alguma coisa falhou nas suas vidas. Nesses casos, o cão é o maior inocente e acaba vítima da falta de conhecimento, empatia e respeito do ser humano. Num mundo ideal, seria o Homem o melhor amigo do cão. A melhor e maior prova de reconhecimento e agradecimento que podemos dar a um cão é tratá-lo com dignidade, respeitá-lo e admirá-lo tal como ele nos faz. A solução para acabar com problemas entre pessoas e cães passa por dar ao cão a possibilidade de ser o que é, em vez de vivermos a acreditar que o cão quer ser mais do que nós e nos está a tentar dominar. A mensagem que deixo é: eduquem-se para educar os vossos cães.