Apenas um ponto de vista …

Apenas um ponto de vista …

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José Diogo Fernandes

Mais umas férias, que findaram e mais um ano de trabalho que nos entra pela porta dentro e diz – está na hora de produzires e sair da letargia em que te encontras…

Normalmente faz-se um rescaldo do ano de trabalho para emendar falhas e valorizar e repetir o que teve êxito. Bem, neste caso vou também fazer um rescaldo das férias ou mais propiamente deste mês de agosto que se distancia, que nem cometa a fugir do sol. Desengane-se quem está à espera que eu conte as minhas aventuras ou infortúnios do mês férias decorando-as com fotos no restaurante, na praia, no campo, nos divertimentos, etc.

Não será bem isso, que vou partilhar com quem perde tempo a ler o que escrevo. Vou compartilhar preocupações do mês que acabou. Esta letargia, que nos invade, dá-nos oportunidade de observar o mundo com mais cuidado, pois por vezes o dia-a-dia e o trabalho inebria-nos de tal maneira que parecemos avestruzes com a cabeça enterrada.

Não vou surpreender, vou começar pelos incêndios que me incendiaram a alma de revolta e incompreensão perante tal desfaçatez do poder que nos rege. Falhou e faltou quase tudo, prevenção, competência e organização, só não faltou o dinheiro para pagar aos aviões e claro, os que nunca faltam e tudo tentam fazer – os bombeiros! Assisti aos políticos a entreterem-se a passar a culpa de um lado para o outro com todo o despudor, tentando esconder a sua culpa que se arrasta há décadas de inação e de interesses mais ou menos escondidos. Tentei não ver na tv, mudava de canal sistematicamente, mas os meus olhos ou o meu nariz não me deixavam alhear deste flagelo, que este ano já não foi só ambiental, foi também humano, familiar e de todos os portugueses que ficaram bem mais pobres do que pode parecer.

Outra inquietação foi a agitação na Autoeuropa. No início ainda duvidei se os alemães estavam a tentar “escravizar” os funcionários. Depois de ouvir as condições, que os funcionários teriam se trabalhassem ao sábado, já comecei a estranhar as reações inflamadas (deviam ser do calor de agosto) dos sindicalistas porta-vozes dos trabalhadores. Aumentei a minha surpresa quando soube que há uma comissão de trabalhadores, que negocia diretamente com a administração e que tem conseguido defender os seus colegas, obtendo regalias que não existem na grande maioria das outras empresas. Por fim, percebi que o “filme” era do género de Hitchcock, ou seja nem sempre o que parece é! Afinal, trata-se fundamentalmente de uma luta sindical apoiada pela CGTP/PCP contra o BE e que pelos vistos querem “entrar” na única empresa que lhes escapa ao controle laboral. Conclusão – brinca-se perigosamente à politiquice usando uma empresa que foi criada em 1991 e dá emprego a cerca de 3000 funcionários, estando dependente dos alemães, que poderão fazer as malas e arrancarem para outras paragens.

Por fim, a derradeira preocupação que me atingiu neste agosto foi a estupidez de dois líderes internacionais, que acham, que tudo podem fazer ou dizer porque se acham intocáveis. Refiro-me a Kim Jong-un da Coreia do Norte e a Donald Trump dos EUA. Claro, que neste campeonato da idiotice e imbecilidade o Kim ganhou com grande margem. Este continua a experimentar brinquedos explosivos, que até o seu grande protetor chinês já se sente embaraçado com tanta parvoíce perigosa e insana. Dois tontos, que se embriagam com o poder e que se acham donos do que os rodeiam. Já todos sabemos, que isto pode acabar mal, pois no meio de “tanta brincadeira de crianças” costuma haver sempre uma criança que se aleija, acaba a chorar e quer imediatamente bater no outro. É isto que me assusta e me torna apreensivo.