Meinedo tem campeão nacional de velocidade

Meinedo tem campeão nacional de velocidade

Sérgio Pinto venceu em 2015 a Taça Nacional Legends Cup (categoria especial)

COMPARTILHE

aaaaa

Sérgio Pinto, natural de Meinedo (Lousada), apesar da curta carreira nos desportos motorizados, já alcançou resultados bastantes relevantes, tendo como ponto alto a conquista da Taça Nacional Legends Cup (2015), competição integrada no Campeonato Nacional de Clássicos.
Sérgio Pinto sempre teve uma grande paixão pelos automóveis, nomeadamente pela modalidade do tuning, tendo presidido o Clube Tuning de Meinedo durante vários anos. No entanto, só em 2011 é que experimentou entrar em competição. Na altura a escolha foi as provas de Time Attack, um campeonato que teve a sua primeira edição precisamente nesse ano e era organizado pelo CPD, a mesma entidade que tutelava o campeonato português de drift. Esta opção deveu-se essencialmente “ao fator económico, pois eram corridas que não exigiam grandes investimentos”, como nos contou Sérgio Pinto.
Como muitos “tunners”, Sérgio Pinto tem nos Honda’s a sua marca de eleição e foi ao volante de um Civic D14 VTEC que venceu duas corridas (Braga I e Baltar), terminou em segundo na pista da Costilha e fez apenas 4.º na derradeira prova (Braga II), garantido o título na classe 2, reservada a carros com motores 1.400 cc.

Em 2011 Sérgio Pinto estreou-se no Time Attack
Em 2011 Sérgio Pinto estreou-se no Time Attack

Mesmo não sendo um campeonato homologado pela FPAK, esta não deixou de ser uma estreia auspiciosa para o piloto magnetense que em 2014 deu o salto para os campeonatos nacionais de velocidade/clássicos. Integrando a Legends Cup, competição que vem ganhando grande número de adeptos, pois teve e continua a ter como principal objetivo trazer até aos circuitos nacionais os bólides que animaram as décadas de 80 e 90, como Ford Sierra Cosworth, Mercedes 190, Honda Civic, BMW M3, Toyota Carina, Citroën AX Sport, Renault Spider, Opel Astra, entre muitos outros.
O início de Sérgio Pinto em provas federadas ocorreu no Circuito Vasco Sameiro, em Braga tendo subido ao último lugar do pódio na sua classe, a PH99 reservada a carros registados entre 1992 e 1999. Apesar do seu carro estar equipado com um motor 1400, o lousadense foi integrado na classe PH99 1600, devido a algumas evoluções do motor VTEC e de eletrónica. Condicionante que valoriza ainda mais a prestação do piloto que teve de lutar contra máquinas como os Cosworth e os BMW M3. E, foi precisamente frente ao carro da máquina alemã, tripulado por Luís Sousa, que Sérgio Pinto chegou à derradeira corrida da temporada 2014 (autódromo do Estoril) com possibilidades de disputar o campeonato. Porém, o azar atravessou-se no caminho do lousadense que partiu o setor de velocidades durante a primeira corrida do fim-de-semana. Depois de uma longa paragem na boxe, regressou à pista, mas não completou 75% da corrida e, consequentemente, não pontuou. Desde logo o título ficou entregue ao rival do BMW M3, mas o vice-campeonato no ano de estreia em provas federadas deixou grande alento para a temporada seguinte.
Em 2015, o Honda Civic D14VTEC foi alvo de alguns upgrades e passou a integrar a classe Especial, onde competiam os carros sem Ficha de Homologação. Entre estes encontravam-se o Renault Spider e um Mercedes 190E 2.5 16V, um dos carros adquiridos pelo AMOB Racing à própria marca alemã e que competiu no DTM (um dos campeonato de Turismo mais competitivos do mundo).
Sérgio Pinto começou a época, em Braga, logo com um triunfo na classe, fazendo 3.º à geral, sendo apenas batido pelo imponente Sierra RS500 (também da AMOB Racing) e Hélder Pimenta em Mercedes 190E.
Para a segunda corrida, Sérgio Pinto foi segundo da classe, atrás de Vasco Barros no Mercedes 190E 2.5 16V, que venceu à geral e seria o principal rival do lousadense durante toda a temporada.
Seguiu-se a primeira passagem pelo Estoril, onde o lousadense alcançou os melhores resultados. Dominou totalmente a sua classe, subindo ao lugar mais alto do pódio nas duas corridas, tendo ainda terminado na 3.ª e 2.ª posição da geral.
De Sintra para Trás-os-Montes para participar no mítico traçado citadino de Vila Real, Sérgio Pinto esteve aquém dos resultados até então conseguidos. Problemas no carro obrigaram-no à única desistência da época, na primeira corrida e na segunda fez apenas um 7.º lugar da classe.

aaa

Depois de Vila Real a caravana regressou ao Estoril para a segunda passagem pelo Autódromo Fernanda Pires da Silva, onde Sérgio Pinto voltou a ser feliz, desta vez conseguindo dois segundos lugares na classe.
Perante estas prestações, o piloto de Lousada partiu para a derradeira corrida do campeonato (a ter lugar no Autódromo Internacional do Algarve) com 2 pontos de vantagem sobre Vasco Barros. O mesmo significava que bastava apenas um 2.º lugar para se sagrar campeão, resultado que obteve logo na primeira corrida, tendo ainda direito a subir ao último lugar do pódio na geral. Já com o título assegurado, Sérgio Pinto não quis deixar de terminar em grande a temporada e na segunda corrida fez ainda melhor. Venceu na classe e fez 2.º à geral.
Um feito tremendo para Sérgio Pinto que teve como principal adversário Vasco Barros que tripulava uma máquina ex-DTM, numa batalha entre “David e Golias”, mas tal como na história bíblica, o mais fraco levou a melhor sobre o gigante.
Em 2016, o piloto retirou as alterações ao Honda Civic e regressou a classe PH99, mas duas transmissões partidas (Braga e Estoril) hipotecaram desde logo a temporada, tendo apenas conseguido terminar em 9.º da classe.
Para 2017, Sérgio Pinto vai fazer uma paragem devido a projetos profissionais e familiares, tendo prevista apenas a participação em algumas corridas para “manter a forma”.

a

Os grandiosos espetáculos do tuning

Sérgio Pinto foi um dos fundadores do Clube Tuning de Meinedo e foi aí que o “bichinho” pelas corridas começou. O agora campeão nacional revelou um grande sentimento de gratidão por todos os anos que esteve em funções no clube e pela aprendizagem que o mesmo lhe proporcionou: “O CTM ajudou-me em tudo. Aprendi muito, não só no meio automobilístico, mas na vida em geral. Desenvolveu-me a nível pessoal, tornou-me uma pessoa mais dinâmica, mais ativa e persistente”.
Recorde-se que durante a primeira década do novo milénio o Clube Tuning de Meinedo organizou na Pista da Costilha as suas concentrações, eventos que ano após ano conheceram um crescimento apoteótico que culminou com a organização de provas europeias de drift que trouxeram até ao Eurocircuito multidões superiores a 10.000 espetadores.
Em 2012, Sérgio Pinto assumiu funções de sócio-gerente da Electro Reparadora de Meinedo e teve de se dedicar mais à empresa que atravessava uma fase de expansão. A falta de disponibilidade obrigou-o a abandonar a presidência do clube que entretanto suspendeu a sua atividade.
“Deixa-me uma grande mágoa ver morrer algo que, juntamente com a equipa que sempre me acompanhou, trouxe até Lousada grandes espetáculos”, lamentou Sérgio Pinto, ao mesmo tempo que se mostrou indisponível quando questionado sobre a possibilidade de reativar o clube.