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São recordistas. São fortes e estão sempre dispostos a ultrapassar novos desafios e a superarem-se a si mesmos. Faz ideia de quem são?

Alguns dos homens mais fortes do país estiveram na freguesia de Lodares, mais propriamente na Associação Desportiva e Cultural de Lodares, num evento organizado pela direção.

Foram centenas as pessoas que, curiosas pela estreante iniciativa, se deslocaram à sede do clube e vibraram com os feitos heróicos dos Strong Man ali presentes. Bruno Leal tem 37 anos e é o responsável pela equipa Bruno Leal Strong Man Team e explicou-nos algumas curiosidades de uma modalidade que parecemos estar mais habituados a ver na televisão, mais concretamente no estrangeiro. Desta vez, os super-homens da vida real deram mesmo espetáculo. “Nós aqui fizemos o levantamento do carro [Car Dead Lift], que é uma prova típica, a puxada do camião [Truck Pull], também ela uma prova típica, o Circus Dumbell, que é efetuada com o haltere do circo, uma prova muito antiga que começou no circo, aqueles homens fortes que levantavam aqueles halteres redondos. O Farmers Walk, que é a caminhada do fazendeiro, o Yoke, uma estrutura que levamos às costas e com a qual caminhamos cerca de 20 metros, o Viking Press, onde levantamos uma pipa acima da cabeça, oriundo dos vikings, e ainda fizemos a prova da bola, que partiu”, disse o portuense, sorrindo, lembrando que ainda existem muitas outras provas.

Vídeo da iniciativa em Lodares

Bruno, que pesa 125 quilos, revelou por entre sorrisos, quando questionado se era tudo massa muscular, que “não, não é tudo massa muscular, mas gostava que fosse”. A alimentação é fundamental para o sucesso desportivo dos atletas. “Nós comemos praticamente tudo e muito. Muitas quantidades de proteína, de hidratos, muita carne, muito arroz, muita massa”, destacou.

Mas como é o dia a dia de um Strong Man, de forma a que consiga ter tanta força durante horas? “Trabalho num ginásio todos os dias, no final da tarde, a seguir ao trabalho treino duas horas por dia, mas agora que me estou a preparar para uma competição, os meus treinos são efetuados de domingo a domingo, sem paragens, para dividirmos os movimentos pelos vários dias e vamos treinando para melhorar e chegar ao dia da prova e estarmos prontos”, referiu.

Há sempre aquela pergunta que todos fazem. Qual foi o maior peso que movimentou? Bruno Leal revelou: “foi um camião de 28 toneladas. Mas estamos sempre dispostos a tentar mais. O que nos propuserem nos eventos, nós tentamos!”, revelou, com orgulho no olhar.

Mas o que é um Strong Man? “Um Strong Man é um homem forte, que levanta qualquer coisa, de qualquer maneira, ou movimenta de um ponto A até um ponto B”, explicou muito rapidamente, falando depois dos concursos em que a sua equipa participa. “Costumamos participar em concursos ao nível internacional. Organizei recentemente no Porto o Campeonato Ibérico. Não participei porque organizei. Agora vou à Irlanda em janeiro, competir para o homem mais forte de Belfast e onde irão competir 20 atletas de toda a Europa. Infelizmente temos de nos deslocar quase sempre ao estrangeiro porque temos poucas provas aqui em Portugal e poucos atletas... então vamos ao estrangeiro, Inglaterra, Espanha (…)”, frisou.

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Bruno Leal

Para Bruno Leal, a maior dificuldade para quem pratica a modalidade “são os apoios para nos deslocarmos, como há poucas provas cá, temos que ir ao estrangeiro e isso implica viagens, com alimentação, as dormidas é sempre muito dinheiro que se gasta, com poucos apoios”, disse.

Engane-se quem pense que fazer “destas coisas” é algo restrito a um número de pessoas. Lodares recebeu um Strong Man de 51 anos que fez alguns dos movimentos a convite da equipa de Bruno Leal. “Às vezes no ginásio as pessoas ficam muito surpreendidas de nos ver levantar muito peso e têm tendência a experimentar e ‘volta e meia’ aparece um que em determinado movimento tem força e nós quando temos uma exibição trazemos, que é para ter um gostinho de estar à beira das pessoas”, revelou, terminando a explicar que estas tarefas hercúleas requerem certos cuidados. “Temos de proteger sempre as articulações e os movimentos têm técnica para levantar, não é à bruta. Temos de ter posições certinhas para não nos magoarmos. Porque um pequeno deslize… não nos podemos esquecer que estamos a lidar com 300/400 quilos, magoámo-nos e vamos parar ao hospital. Já aconteceu, acontece muitas vezes e é um risco que estamos sempre dispostos a correr para fazer o que gostamos”, concluiu com regozijo.


Catarina Barbosa 16 anos visitante

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“Achei a iniciativa muito interessante. Como somos um meio pequeno, este tipo de atividades é necessário para o desenvolver. Gostei das demonstrações, principalmente aquela em que puxam o camião. Trata-se de algo diferente, que não se vê muito. É um talento, tal como todos os outros, que requer muito empenho, dedicação e trabalho e é bom mostrar isso, porque as pessoas, pode não ser neste caso em concreto do Strong Man, mas podem usar essa força e essa vontade para se empenharem noutras coisas. Penso que, até pelo facto de ser uma nova direção, fizeram muito bem em apostar neste evento para poderem mostrar que estão empenhados em remodelar os eventos que existem e tornar Lodares num espaço mais atrativo para todas as pessoas do nosso concelho. Confesso que não estava à espera de ver tanta gente. Moro aqui há muito tempo e nunca vi a associação com tanta gente.”


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A recente direção da ADC Lodares no final da iniciativa mostrou-se satisfeita com a vinda em massa da população à iniciativa. “O balanço foi bastante positivo e a adesão da população superou as nossas expetativas. Tendo em conta que é a primeira vez que aqui realizamos este evento ficamos surpreendidos. Nunca pensámos que tivéssemos tanta gente. Por isso, acho que correu bastante bem”, revelou, dizendo depois qual o objetivo do Strong Man. “Passou por cativar as pessoas à associação, não só para dar a conhecer o evento, mas também para dar a conhecer o futuro trabalho que vai passar por esta nova direção. Ou seja, dinamizar a associação e, principalmente, levar o nome de Lodares ainda mais à avante”, destacou.

Por: Elisabete Leal