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O Complexo Desportivo acolheu o IV Campeonato de Boccia Sénior de Lousada, que durante três dias foi disputado por centenas de atletas, que integram os movimentos séniores do concellho.

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Manuel Coelho, de Cristelos, ficou em 1.º lugar, seguido de Fernando Magalhães e José Maria Lopes, de Lustosa. Os 50 primeiros participantes vão ser selecionados para competições a nível regional e nacional.

Conforme já referimos anteriormente no YES Lousada, a modalidade Boccia tem-se implementado com sucesso no nosso concelho. Aproveitamos para conhecer bem mais de perto esta modalidade.

Os praticantes são provenientes dos vários movimentos seniores do concelho, “sem os quais seria difícil agregar tanta gente e tantas vontades”, referiu Eduardo Duarte, responsável pela implementação deste desporto em Lousada.

Segundo o técnico, são muitas as vantagens deste desporto para estes atletas, tanto a nível mental, como físico, pois “obriga a pensar, a raciocinar”, capacidades que, “com a idade, se vão perdendo um bocadinho”. A nível físico, também é muito importante, já que “eles têm que fazer um trajeto de 12 metros para trás e para a frente, têm que se baixar, têm que lançar, é uma verdadeira fisioterapia a todos os níveis. É um jogo que toda a gente pode praticar, despertando um enorme sentimento de satisfação”, considerou este profissional.

À evolução competitiva do Boccia, alia-se o voluntarismo de todos, sem exceção: “Eles todos são jogadores, árbitros e exercem as demais funções. Poupamos recursos. Entre nós, conseguimos resolver toda a situação neste jogo”. Eduardo Duarte, orgulhoso pelo crescimento da modalidade, acrescentou: “É uma dinâmica cinco estrelas a todos os níveis. Temos tido excelentes resultados, fomos campeões nacionais a nível individual e já tivemos várias equipas premiadas no campeonato nacional e na taça de Portugal”.

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Padre Paulo Godinho

O padre Paulo Godinho também esteve presente nesta iniciativa, confessando ao YES ser um adepto da modalidade: “Eles levam isto muito a sério. Quando os vou visitar, até a mim conseguem transmitir o bichinho para o exercício deste desporto. De facto, o Boccia exige alguma perícia e precisão. É bonito ver o esforço e a dedicação. É uma atividade importante, até porque, para além do exercício e do convívio, cria uma competividade saudável, e isso é importante na idade deles, dá-lhes mais esse sentido útil para a vida. E muitos que aqui estão bem precisam”, afirmou.

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Joaquim Alves

Joaquim Alves pertence ao movimento sénior da freguesia de Lustosa  e pratica esta modalidade há quatro anos. “Isto torna-se engraçado, sentimos uma simpatia com esta juventude toda e eu gosto disto”, referiu, salientando com orgulho os resultados obtidos anteriormente: “Eu já fui campeão muitas vezes e, hoje, já temos metade da nossa equipa de Lustosa classificada para ir para a próxima fase. Temos uma boa equipa, estamos sempre em grande! Conseguimos levar sempre qualquer coisa para a nossa estante de troféus, que já está bem composta”, concluiu, sorridente.

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Ao lado do Joaquim, surge Manuel Nunes, de Cristelos, praticante de Boccia há três anos, que considera ser esta uma forma ideal para passar os seus tempos livres: “Convivemos muito com esta modalidade, gosto muito disto”. Também ele exibe bons resultados no Boccia: “Já fiquei em primeiro, segundo e terceiro aqui em Lousada, conseguindo também segundos lugares na Taça e no campeonato”.

Muito próxima e sorridente estava também Raquel Fernandes, de 75 anos, com uma alegria motivada pela nossa presença, dado que o seu filho em Inglaterra acompanha o nosso jornal: “Tenho um filho em Inglaterra que vê muitas coisas que o senhor lá põe, ele é seu amigo”.  A função da Raquel é de árbitra de mesa, preferindo a escrita ao jogo em si: “Gosto muito mesmo disto, não jogo, mas sou útil noutras tarefas. É bom sermos úteis”, disse Raquel.

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María Emília e Raquel Fernandes

Ao contrário de Raquel, Maria Emília, da freguesia de Boim, com os seus setenta anos menos um, pois, como ela diz, “ninguém quer entrar nos 69”, joga Boccia, estando nesta altura a fazer a função de árbitro, e lá vai dizendo que normalmente tudo corre bem, não deixando de mostrar o seu rigor na função: “Se eles merecerem, bem ‘mamam’ com a raquete. Para mim, gosto delas mesmo chegadinhas à branca, isso evita as medições e, claro, as reclamações”, asseverou.

María Emília, no seu movimento sénior, muitas vezes insiste com os colegas para praticarem Boccia. “A gente entretém-se e com este jogo fazemos ginástica. É para trás e para a frente,  elas começam a cansar e eu puxo por elas: ‘Vamos lá! Toca a jogar!’. Depois, quando chega a hora do lanche, já estamos mortos por lanchar, pois temos fome”, concluiu, com regozijo.

Por último, o Yes Lousada conheceu o campeão nacional, José Nogueira, de Vilar do Torno e Alentém, que nos relatou a sua experiência neste jogo: “Com boa vontade, há 4 anos comecei a jogar. Com treino comecei a adaptar-me melhor e correu bem. O título foi muito bom. Agora estou a enfraquecer um bocado, pois o braço não está a ajudar, mas quero continuar. Para mim é muito importante isto, é um divertimento, onde todos podemos conviver”, concluiu.

Por: Manuel Pinho