Educação em Lousada junta agentes educativos, autarcas e muitos jovens

Educação em Lousada junta agentes educativos, autarcas e muitos jovens

COMPARTILHE

Nota de Imprensa do PSD Lousada

Na passada segunda-feira, realizou-se, no auditório da Associação Industrial de Lousada, o seminário “O estado da Educação em Lousada: problemas, desafios e estratégias de intervenção municipal”. A iniciativa, dinamizada pelo PSD local, contou com a presença da ex-ministra da Educação, Margarida Mano, de Leonel Vieira, vereador pela Coligação Lousada Viva na CML, e de diretores dos agrupamentos de escolas do concelho, Filipe Silva, Ernestina Sousa e Orlando Pereira. Entre os presentes estavam muitos rostos jovens, agentes educativos e autarcas do Concelho.

Margarida Mano abriu o debate falando da necessidade de a escola preparar os alunos para uma sociedade em constante mudança, para um futuro que se caracteriza, cada vez mais, pela imprevisibilidade e para acolher alunos muito diferentes daqueles que frequentavam as escolas nas últimas décadas. Este é o grande desafio, no seu entender, transversal a todos os níveis de ensino.

Foi também neste contexto que a ex-ministra se referiu à autonomia, necessária para assegurar a eficácia da resposta das escolas às necessidades dos alunos, autonomia essa que, a seu ver, deve ser sujeita a uma rigorosa avaliação. Esta questão trouxe timidamente ao debate, já no final, a questão da municipalização, sem que os intervenientes se tenham comprometido com uma posição sobre este tema, por considerarem que é necessário primeiro um debate amplo, clarificador e definidor dos moldes em que se deve realizar. Esta foi a posição da diretora Ernestina Sousa, que mereceu a concordância dos presentes.

Lousada não consegue contornar o problema da redução de alunos

Leonel Vieira congratulou-se com o trabalho que tem sido desenvolvido na área da Educação, mormente no que diz respeito aos equipamentos e à redução do abandono escolar, fruto de um “trabalho notável da escola e dos professores”, disse. No entanto, levou para o debate algumas questões que o preocupam, começando por se referir ao número de alunos, que tem vindo a diminuir consideravelmente, deixando escolas e centros escolares, onde foram investidos milhões de euros, quase vazios. Esta situação leva à existência de turmas mistas, apesar de o seu número ter diminuído no último ano.

Para os diretores dos agrupamentos presentes, esta situação é preocupante e deve ser equacionada. Sobre a possibilidade de encerramento de escolas ou centros escolares, registou-se unanimidade, ao referirem que esta é uma questão sensível e que o encerramento deverá acontecer apenas em situações limite, quando o número de alunos for tão reduzido que torne inviável o funcionamento da estrutura.

O Vereador voltou ao tema da qualidade e necessidade de requalificação de algumas escolas, que tem marcado as intervenções da oposição da Coligação Lousada Viva, tanto nas reuniões de Câmara como na Assembleia Municipal. Leonel Vieira lamentou que “as direções dos agrupamentos, os coordenadores das escolas e as juntas de freguesia não tenham sido ouvidas na elaboração dos projetos, nem durante a execução das obras”, acrescentando que, se tal tivesse acontecido, “muitos erros estruturais e funcionais poderiam ter sido evitados”, dando como exemplos os centros escolares de Figueiras, Casais, Nevogilde, Boavista, Lodares, Nespereira, Aveleda e Macieira.

P_20160627_220300

Rede de transportes não responde às necessidades dos alunos

A diminuição do número de alunos tem impossibilitado a oferta de percursos formativos diversificados em todas as escolas, o que implica a necessidade de os alunos se deslocarem para frequentarem o curso que responde às suas aspirações profissionais. No entanto, nem sempre esta deslocação é fácil, pois a inexistência de uma rede de transportes eficiente coloca muitos entraves aos alunos, que, por vezes, acabam por escolher escolas de outros concelhos, pela facilidade de acesso. Leonel Vieira apontou como pontos críticos os agrupamentos Lousada Oeste e Dr. Mário Fonseca, situação corroborada pelos diretores dos dois agrupamentos.

Sobre o ensino secundário em particular, Filipe Pereira, diretor do Agrupamento de Escolas de Lousada, defendeu a sua concentração na Escola Secundária de Lousada, por considerar que esta é a melhor forma de responder às necessidades formativas dos alunos, tendo em conta a redução do número de discentes. Já Ernestina Sousa, diretora do Agrupamento de Escolas Dr. Mário Fonseca, não deixou de salientar os bons resultados académicos dos alunos da Escola Básica e Secundária Lousada Norte, considerando que o facto de ser uma escola com poucos alunos é um fator decisivo para o sucesso dos mesmos.

Para Fausto Oliveira, autarca, ex-professor e moderador deste debate, esta iniciativa responde a uma das principais preocupações e apostas do PSD Lousada no quadro do seu projeto político. “Do debate organizado, ficou claro que é cada vez mais importante o reforço da autonomia educativa e administrativa frente aos diversos poderes centrais e locais, os quais deverão olhar para a escola como parceira, evitando todo o tipo de controlo”, disse. Para este autarca, esta iniciativa permitiu também elencar um conjunto de necessidades, “como a rede de transportes, mais e melhores recursos educativos e mais e melhor formação profissional”, que só se concretizarão “num quadro de estabilidade legal, que resulte de um acordo de regime”, concluiu.